Freitag, März 16, 2007

Der letzte Post (O último post)

E chegamos então, depois de 365 dias e mais de 110 posts, ao último post deste blog. Volto para o Brasil neste domingo, dia 18, no vôo das 22:05. Chego em Curitiba dia 19, às 13:00.

O que dizer deste último dia de trabalho? Tive que entregar meu quarto, mudei toda a minha tralha para o quarto da Irina, trouxe bolo e outras comidas para a SAP e o meu time me preparou ótimas surpresas. Tive boas conversas com meus chefes, garanti o meu retorno para cá, ganhei de lembrança um mouse ótico wireless muito bom e, enfim, tudo deu certo no fim das contas.

Estou muito contente com minha experiência aqui e não poderia ter pedido mais. Vim para cá esperando pouco; o que eu encontrei foram boas surpresas atrás de boas surpresas. Fácil não foi, em vários momentos; mas isto não descredita nada. Estou muito grato por esta experiência, por todos os amigos, o trabalho, o ambiente e tudo o mais.

Alemanha, até Outubro! Que tudo aqui continue correndo bem para todos.

Donnerstag, März 15, 2007

Bilder sagen mehr als Worte (Imagens falam mais do que palavras)

Em meu provável penúltimo post, resolvo colocar aqui algumas fotos que simplesmente precisam estar neste blog antes que eu volte para o Brasil. Cá estão elas:

Alex e a nossa bandeira, em uma foto simbólica da integração Brasil-Alemanha.

René, Irina e eu na minha festa de despedida da AIESEC.

Uma das primeiras obras-de-arte do Alex, quando começaram a me chamar de "Batman".

Aqui foi quando eles implicaram que eu falava alemão com sotaque francês.

Três dias e contando...

Freitag, März 09, 2007

Ein guter Tag (Um dia bom)

Finalmente tive um daqueles dias onde você percebe que o esforço acumulado de vários investimentos trazem retorno. Terminei o projeto complicado aqui no trabalho e fui muito elogiado. Imagino que tenha sido muito importante para a minha imagem e a do meu departamento.

Consegui mandar os papéis para o seguro-saúde. É só esperar o reembolso agora.

Liguei para a faculdade de Mannheim para conversar com o pessoal lá pela última vez antes de sair do país. Aparentemente minha situação com eles ainda está bastante garantida. Já pedi para eles procurarem um quarto para mim nas moradias estudantis e confirmei meu interesse no mestrado. A partir de agora, contatos só eletrônicos a partir do Brasil.

Falei com meu chefe, que assinou uma bela carta de recomendação para mim e preencheu a avaliação do meu estágio com muitos elogios. Ele também me ofereceu para começarmos o processo do meu contrato aqui; mas infelizmente não dá para fazer muita coisa porque eu ainda não tenho os documentos da faculdade de Mannheim.

As coisas vão se moldando no seu ritmo. O estresse ainda é grande, mas tudo tem tudo para dar certo. É só uma questão de paciência, atenção e um pouco de fé, como sempre. Estou ansioso para voltar.

9 dias e contando...

Dienstag, März 06, 2007

Es gibt immer Probleme, die man lösen muss (Existem sempre problemas a serem resolvidos)

Faz tempo que não escrevo aqui porque agora que tenho menos de duas semanas na Alemanha percebo como existem muitas coisas a serem resolvidas antes de se ir embora. Creio que o maior dos meus problemas foi descobrir que minha passagem de avião "São-Paulo > Curitiba" simplesmente não existe mais e agora eu estou tentando achar uma alternativa. Ninguém soube me explicar direito o porquê e, acreditem, não é fácil resolver um problema em um vôo nacional estando na Alemanha. Pelo menos eu tive a sorte de ligar com antecedência para saber deste problema com tempo para resolvê-lo...

De resto tive alguns projetos malucos no trabalho, comecei a dar adeus aos meus amigos, comprar presentes para o povo do Brasil, tentar achar um modo de deixar meu quarto para o Carlos, receber o dinheiro do meu seguro-saúde por causa do período que passei doente no mês passado, resolver algumas formalidades no banco, pegar documentos para a universidade de Floripa, pegar outros documentos para meu processo de ingresso no mestrado, arrumar a mala, arrumar o quarto...

Enfim, não está sendo fácil mas acho que não estou deixando nada sem atenção. Quando isso tudo acabar, vou poder respirar aliviado e saber que fiz um bom trabalho. Aí espero ter a chance de ter um merecido descanso no calor absurdo da Ilha de Santa Catarina.

Abraços a todos. 12 dias e contando...

Donnerstag, März 01, 2007

Die Änderungen fangen an... (As mudanças começam...)

Já estamos em Março e minha contagem regressiva continua. Como parte de todo o processo de voltar, criei o meu novo weblog, chamado "Vitor in Brazil", onde relatarei as experiências de voltar ao meu país. Ele será em inglês e um pouco de alemão para que meus amigos internacionais possam acompanhá-lo também. Por enquanto ainda escreverei neste weblog aqui, pois ainda estou na Alemanha, mas quem já quiser checar o bichinho, ele está aqui.

18 dias e contando...

Donnerstag, Februar 22, 2007

Es ist schon schwer zu schreiben (Já está difícil de escrever...)

Minha ausência se deve ao turbilhão insano de emoções que toma conta de mim neste meu último mês na Alemanha. Olhar para tudo aqui sabendo que as coisas nunca mais serão as mesmas, que eu passarei seis meses (tempo suficiente para mudar TUDO) novamente no Brasil; enquanto a vida aqui continua... é muito difícil.

Estou tentando me distrair com trabalho, com papelada, planos, idéias... mas não consigo deixar de sentir um pavor enorme em abandonar esta vida que se tornou extremamente familiar para mim. Não consigo imaginar abandonar todas essas pessoas fantásticas, o trabalho do qual tanto gosto, a rotina que cultivei com carinho, o ambiente que tanto me apraz...

Não está fácil sequer pensar, por isso não escrevo há tempos. Quem sabe minhas idéias se ajeitem melhor e eu possa voltar a registrar os fatos aqui com certa normalidade. Por ora, preciso de tempo.

Freitag, Februar 09, 2007

Brave New Germany - Teil 5 (Admirável Alemanha Nova - Parte 5)

Lançar um olhar crítico sobre a sociedade e concluir que a situação é ruim e incontrolável é o resultado da grande maioria das conversas de bar, grupos de "intelectuais" ou até mesmo um grupo de amigos onde pelo menos um deles se encontra em um momento particularmente introspectivo e pessimista. Aquele tipo de conversa que termina com um comentário do tipo: "é, a vida é difícil mesmo" e deixa todos em um silêncio temporário até que alguém resolva voltar às práticas polidas da conversação e faça os outros pararem de "falar bobagem".

Este não é o meu objetivo aqui. Temos a situação apresentada em nossas mãos e muito mais responsabilidade do que muitas vezes queremos ver. Ao contrário de épocas passadas, nas quais poderíamos nos sentir realmente impotentes, hoje temos um poder enorme em nossas mãos pelo simples fato de podermos acessar a internet. Como você pode se dizer "pequeno demais" se pode escrever algo que o mundo inteiro tem a capacidade de ler?

A tecnologia nos permite viver vidas que dariam inveja a qualquer "rei" das épocas passadas; uma pessoa de classe social não tão elevada tem acesso a tantas facilidades que a busca pelo prazer e pelo conforto já deixaram de por si só darem um sentido à vida de muitas pessoas, não apenas uma minoria absoluta. Além disso, a psicologia e a disseminação da informação nos mostram mais e mais que a necessidade excessiva de prazer imediatista é fruto de alguma perturbação psicológica, não deixa ninguém realmente satisfeito com a vida.

Deste modo, qual é a justificativa para a ambição de ter mais dinheiro e mais poder? O que as pessoas podem querer mais? Sequer temos tempo de aproveitar as coisas mais básicas que temos, que nem custam mais tão caro ou são difíceis de conseguir. A liberdade de expressão, a liberdade sexual, a liberdade de ir e vir; o fato de termos vastas regiões do globo sem conflito armado, onde sequer sofrer um acidente é estatisticamente muito difícil. Tudo isso dá um outro sentido à idéia de "busca da felicidade".

Há muito tempo buscamos a satisfação pessoal dos modos que conhecemos: aqueles que vêm desde a filosofia grega, dos primórdios da nossa civilização ocidental. Mudamos alguns conceitos, mas fundamentalmente seguimos o mesmo caminho: a visão cartesiana e racionalmente matemática. Ela é que rege a sociedade ocidental e é a principal responsável pelo triunfo do capitalismo e a consequente exaustão dos recursos naturais do planeta.

Porém, as pessoas mais "felizes" que eu conheci em tempos recentes eram orientais: indianos, chineses ou coreanos. Estas pessoas parecem ter uma alegria mais intrínseca em si, é um tipo diferente de satisfação com a vida. Mais centrados em espiritualidade do que na nossa religião "lógica", os orientais parecem ter uma satisfação maior com a vida simples, não se preocupam tanto em tentar explicá-la. Talvez isto seja fruto de filosofias como o budismo, que nos colocam no lugar de "parte do universo", onde devemos nos confortar em ser partes do todo e enormemente impotentes diante da magnitude da realidade.

Talvez falte muito disso para o homem ocidental: humildade e aceitação de seu lugar limitado na infinidade do espaço-tempo, especialmente neste mundo, neste nosso meio-ambiente. Talvez isto nos trouxesse mais paz interior e menos ganância, talvez diminuisse nossa voracidade e angústia. Que a globalização nos coloque mais em contato com formas alternativas de ver o mundo ao invés de soterrá-las embaixo de iniciativas econômicas que coloquem países como a Índia e a China no papel de meras potências ascendentes da loucura capitalista.

Quem sabe respirar fundo e ser capaz de observar a beleza da chuva gotejando nas árvores em um dia frio e desagradável (que para todos os motivos práticos seria uma tragédia em si só) tenha um valor infinitamente maior do que o mais poderoso dos laptops, a mais linda das modelos, a mais deliciosa das comidas e o mais rápido dos carros. Quem sabe nossa salvação resida aí.